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Como Tirar o Seu Registrato Passo a Passo: Guia Completo do Banco Central

Publicado em: 25/06/2026
Leitura: 4 min
Resumo Rápido

O Registrato do Banco Central é um sistema gratuito que reúne todas as suas informações financeiras, incluindo chaves Pix, contas correntes e dívidas ativas.

Introdução

Se você já tentou descobrir exatamente quantas dívidas tem, com quais bancos e em que situação, provavelmente esbarrou em um nome estranho: Registrato. Muita gente nunca ouviu falar dele, mesmo sendo um serviço gratuito e oficial do Banco Central do Brasil que existe justamente para dar transparência à sua vida financeira.

Neste guia, você vai aprender, do zero e sem termos complicados:

  • o que é o Registrato e por que ele existe;
  • quem pode emitir o relatório;
  • como funciona a conta Gov.br e os níveis Bronze, Prata e Ouro;
  • o passo a passo completo, do login à emissão;
  • como interpretar cada parte do relatório;
  • os erros mais comuns que atrapalham quem tenta consultar;
  • quando você deve atualizar o relatório;
  • e a diferença entre Registrato e Serasa, que muita gente confunde.

Ao final, você vai conseguir emitir seu próprio relatório e, mais importante, entender o que ele está te dizendo sobre suas dívidas.

O que é o Registrato?

O Registrato é um sistema oficial do Banco Central do Brasil (BCB) que permite que qualquer pessoa física ou jurídica consulte, de forma gratuita, as informações financeiras registradas em seu nome nos sistemas do próprio Banco Central.

Pense nele como uma central de consultas: em vez de ligar para cada banco perguntando "eu tenho dívida com vocês?", você acessa um único painel e vê um retrato de várias informações reunidas pelo Banco Central.

Pelo Registrato, é possível emitir relatórios como:

  • SCR (Sistema de Informações de Créditos): mostra empréstimos, financiamentos, cartões de crédito e outras operações de crédito que você tem com instituições financeiras.
  • CCS (Cadastro de Clientes do Sistema Financeiro Nacional): mostra em quais bancos você tem conta, além de chaves Pix vinculadas ao seu CPF.
  • Câmbio: mostra operações de câmbio realizadas em seu nome.
  • Valores a receber: existe um sistema separado, também acessado via Gov.br, para consultar valores esquecidos em instituições financeiras.

Você sabia?

O Registrato não é um "SPC do governo". Ele não gera negativação, não empresta score de crédito e não é usado por lojas para aprovar ou negar uma compra. Ele é uma ferramenta de consulta e transparência, pensada para você entender sua própria situação — não para o mercado te avaliar.

Quem pode emitir o Registrato?

Qualquer pessoa física (usando o CPF) ou pessoa jurídica (usando o CNPJ) pode emitir seu próprio relatório. O acesso é sempre feito por meio da conta Gov.br, o mesmo login usado para acessar outros serviços públicos digitais, como Meu INSS, Receita Federal e Carteira de Trabalho Digital.

Não é possível emitir o Registrato de outra pessoa, exceto em situações específicas, como:

  • representantes legais de menores de idade ou pessoas incapazes, mediante comprovação;
  • inventariantes de espólio, com a devida documentação;
  • procuradores com procuração específica para esse fim, em alguns casos.

Para o uso comum — que é o foco deste artigo — você vai emitir apenas o seu próprio relatório, usando seu CPF e sua conta Gov.br.

Entendendo a conta Gov.br e os níveis Bronze, Prata e Ouro

Antes de chegar ao Registrato, é essencial entender por que às vezes o acesso é bloqueado. Isso quase sempre tem a ver com o nível da sua conta Gov.br.

A plataforma Gov.br classifica as contas em três níveis de segurança:

Nível Bronze

É o nível mais básico. A conta é criada apenas com dados cadastrais, como CPF e informações pessoais simples. Ele permite acesso a serviços digitais mais simples, mas não é suficiente para consultar o Registrato.

Nível Prata

Esse nível exige uma validação de identidade mais forte. Normalmente é obtido por meio de:

  • login via aplicativo do banco em que você é correntista (o banco confirma que aquele CPF é realmente seu, dentro do sistema bancário);
  • reconhecimento facial vinculado à base de dados da CNH (Carteira Nacional de Habilitação);
  • validação por biometria em outras bases públicas, como a Justiça Eleitoral.

Nível Ouro

É o nível de segurança mais alto. Pode ser obtido por:

  • biometria facial associada à CNH, com verificação mais rigorosa;
  • certificado digital ICP-Brasil.

Atenção

Contas nível Bronze não conseguem acessar o Registrato. Se você tentar entrar e receber uma mensagem de erro ou um aviso pedindo para "aumentar o nível da conta", é exatamente isso que está acontecendo. A solução é elevar sua conta para Prata ou Ouro antes de tentar novamente.

Como aumentar o nível da conta Gov.br

  1. 1Acesse o site ou aplicativo Gov.br.
  2. 2Faça login com seu CPF e senha atual.
  3. 3Procure a opção de aumentar o nível de segurança da conta (geralmente aparece como "Selos de confiabilidade" ou "Validar identidade").
  4. 4Escolha o método disponível: validação por banco credenciado (mais rápido, muitos bancos oferecem essa opção pelo próprio aplicativo do banco) ou reconhecimento facial.
  5. 5Siga as instruções na tela — normalmente leva poucos minutos.

Depois de concluída a validação, sua conta passa a ser Prata ou Ouro, dependendo do método escolhido, e você já pode seguir para a consulta do Registrato.

Passo a passo completo para emitir o Registrato

Agora que sua conta Gov.br está no nível correto, veja o caminho completo:

  1. 1Acesse o portal oficial do Registrato, vinculado ao site do Banco Central do Brasil. Nunca utilize links recebidos por SMS, WhatsApp ou e-mail — acesse sempre digitando o endereço oficial diretamente no navegador.
  2. 2Faça login com sua conta Gov.br (nível Prata ou Ouro).
  3. 3Caso seja solicitado, complete a verificação em duas etapas (um código enviado por SMS, e-mail ou aplicativo autenticador).
  4. 4Dentro do sistema, escolha o relatório desejado. Para quem quer entender dívidas, o mais importante é o SCR.
  5. 5Gere o relatório. O sistema processa a solicitação e disponibiliza o arquivo, normalmente em formato PDF.
  6. 6Baixe e salve o arquivo em um local seguro no seu computador ou celular. Esse documento pode servir como prova em negociações ou contestações futuras.

Dica do Especialista

Sempre baixe o PDF e guarde com a data de emissão visível. Se você precisar contestar uma cobrança ou abrir uma manifestação no Consumidor.gov.br, esse relatório datado é uma evidência oficial de que aquela informação constava (ou não constava) no seu nome naquele momento.

Como interpretar o relatório do Registrato (SCR)

Ao abrir o PDF do SCR, é comum sentir um misto de alívio e confusão: alívio por finalmente ver tudo reunido, confusão por causa dos termos técnicos. Vamos destrinchar os principais campos.

Instituição financeira

Mostra o nome do banco, financeira ou cooperativa de crédito que reportou a operação ao Banco Central.

Modalidade da operação

Indica o tipo de crédito: cartão de crédito, empréstimo consignado, financiamento de veículo, cheque especial, entre outros.

Situação da operação

Esse é o campo que mais gera dúvidas. As operações aparecem, de forma resumida, como:

  • A vencer: parcelas ainda dentro do prazo de pagamento.
  • Vencida: parcelas em atraso. Atualmente, essa categoria reúne tanto atrasos recentes quanto dívidas mais antigas — inclusive aquelas que antes apareciam separadamente como "prejuízo" (atraso superior a 180 dias). A distinção interna existe nos critérios do Banco Central, mas no relatório consolidado elas aparecem sob o mesmo guarda-chuva de "vencida".

Valor da operação

Mostra o saldo devedor da operação naquele momento.

Exemplo prático

Maria financiou uma geladeira em 12 parcelas. Ela pagou as primeiras 8 parcelas em dia, mas perdeu o emprego e atrasou as últimas 4. Ao consultar o SCR, ela encontra a operação listada com a instituição financeira, o valor das parcelas em atraso e a situação "vencida". Isso não significa que seu nome está "negativado" automaticamente — significa que aquele banco informou ao Banco Central que existe uma dívida em atraso vinculada ao CPF dela.

Erro comum

Muita gente acredita que aparecer no SCR é igual a "estar no Serasa" ou "ter nome sujo". Não é a mesma coisa. O SCR é um histórico de crédito monitorado pelo Banco Central, usado principalmente pelas próprias instituições financeiras na hora de avaliar risco. Já a negativação pública (Serasa, SPC) é feita pelas empresas credoras, em cadastros distintos, com regras próprias de comunicação prévia ao consumidor.

Principais erros ao consultar o Registrato

  • Tentar acessar com conta Bronze e não entender por que o sistema barra o acesso.
  • Cair em sites falsos que imitam o Registrato prometendo consulta "mais rápida" — o acesso é sempre gratuito e apenas pelos canais oficiais do Banco Central.
  • Confundir "a vencer" com "vencida" e entrar em pânico achando que toda operação listada é uma dívida em atraso.
  • Não guardar o PDF gerado, perdendo a prova de que consultou o relatório em determinada data.
  • Não emitir o relatório periodicamente, deixando de acompanhar mudanças na própria situação financeira.

Quando atualizar o seu Registrato

O relatório do SCR é alimentado mensalmente pelas instituições financeiras. Isso significa que, se você pagou uma dívida atrasada, pode levar até cerca de 20 a 30 dias para essa quitação aparecer refletida no relatório, por causa do prazo de processamento entre o banco e o Banco Central.

Recomenda-se emitir um novo Registrato:

  • sempre que for negociar uma dívida, para ter o retrato mais recente da situação;
  • depois de quitar uma pendência, aguardando pelo menos um ciclo mensal para conferir a atualização;
  • antes de contratar um novo crédito, para saber exatamente o que está em seu nome;
  • periodicamente (a cada 3 a 6 meses), como hábito de organização financeira.

Diferença entre Registrato e Serasa

Essa é, provavelmente, a maior confusão do público em geral. Vamos esclarecer:

CaracterísticaRegistrato (SCR)Serasa
Quem administraBanco Central do BrasilEmpresa privada de análise de crédito
O que mostraOperações de crédito com bancos e financeirasDívidas em atraso reportadas por diversas empresas (não só bancos), além de score de crédito
Gera "nome sujo"?Não, é uma ferramenta de consulta interna do sistema financeiroSim, é o cadastro público de inadimplência mais conhecido
CustoGratuitoConsulta básica gratuita, serviços extras podem ser pagos
Quem consultaInstituições financeiras, com autorização, e o próprio titularEmpresas de diversos setores (comércio, serviços, bancos)

Trataremos esse comparativo com mais profundidade em nosso artigo sobre a diferenca entre Serasa, Registrato e SCR, mas o resumo é: o Registrato mostra o que os bancos informaram ao Banco Central sobre você; o Serasa é onde ficam registradas as negativações públicas, que qualquer empresa pode consultar.

Perguntas Frequentes

1. O Registrato é pago?

Não. A emissão de qualquer relatório do Registrato é totalmente gratuita, feita diretamente pelo site oficial do Banco Central.

2. Preciso de conta Prata ou Ouro para sempre?

Sim, para acessar o Registrato é necessário ter, no mínimo, conta Gov.br nível Prata. O nível Bronze não permite a consulta.

3. O Registrato mostra meu score de crédito?

Não. O Banco Central não fornece uma pontuação (score) para o consumidor. O que existe é o histórico de operações, que os bancos usam para montar seus próprios modelos internos de avaliação de risco.

4. Posso emitir o Registrato de outra pessoa?

Apenas em situações específicas previstas em lei, como representação de menores, curatela ou inventário, com a documentação exigida. Para uso comum, cada pessoa consulta apenas o próprio CPF.

5. Encontrei uma dívida que não reconheço. O que fazer?

Guarde o PDF do relatório como prova, entre em contato com a instituição financeira listada para esclarecimentos e, se não houver solução, registre uma manifestação fundamentada no Consumidor.gov.br relatando o ocorrido.

6. Por que uma dívida que já paguei ainda aparece no relatório?

Pode ser apenas uma questão de prazo de atualização. As informações são enviadas mensalmente pelos bancos ao Banco Central, então mudanças recentes podem levar algumas semanas para refletir no relatório.

7. O Registrato substitui a consulta ao Serasa?

Não. São ferramentas complementares. O Registrato mostra seu relacionamento com o sistema financeiro regulado pelo Banco Central; o Serasa mostra negativações que podem vir de diversos setores, além de outros produtos como score de crédito.

8. É seguro emitir o Registrato pelo celular?

Sim, desde que você acesse sempre pelo site ou aplicativo oficial do Gov.br e do Banco Central, nunca por links recebidos em mensagens de desconhecidos.

Conclusão

O Registrato é uma das ferramentas mais úteis — e mais desconhecidas — para quem quer entender de verdade sua situação financeira. Ele mostra, de forma oficial e gratuita, quais operações de crédito estão vinculadas ao seu CPF, permitindo identificar dívidas esquecidas, cobranças indevidas ou informações desatualizadas.

Agora que você já sabe como emitir e interpretar seu Registrato, o próximo passo é usar essas informações a seu favor: seja para negociar uma dívida com mais clareza, seja para contestar uma cobrança que não faz sentido. É exatamente nesse ponto que entra o Quita, ajudando você a interpretar seu Registrato, identificar oportunidades de negociação e elaborar manifestações fundamentadas para instituições financeiras através do Consumidor.gov.br.

Referências

  • Banco Central do Brasil — Registrato: https://www.bcb.gov.br/cidadaniafinanceira/registrato
  • Banco Central do Brasil — Sistema de Informações de Créditos (SCR): https://www.bcb.gov.br/estabilidadefinanceira/scr
  • Gov.br — Conta Gov.br e níveis de segurança: https://www.gov.br/governodigital/pt-br/identidade/conta-gov-br
  • Resolução CMN nº 5.037, de 29 de setembro de 2022 (disciplina o Registrato/SCR): https://www.bcb.gov.br/estabilidadefinanceira/exibenormativo?tipo=Resolu%C3%A7%C3%A3o%20CMN&numero=5037
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